Raízes da Fé

Raízes da Fé

Laroyê Exú, Exú é Mojubá!  Axé Babá, Axé Ô! “Oi dai-me licença ê,   Oi dai-me licença,   Alodê Iemanjá ê,   Dai-me licença”.

Antes do rito, antes de qualquer grito, antes do verbo, da ação, do mito, existia Exú, o vazio que impulsionou tudo isso. Antes do pincel, da tela, da tinta, a vontade de falar, de expressar, de eternizar a gratidão por todo guia e todo Orixá, por isso, Laroyê Exú, Exú é Mojubá. Devidamente agradecido, que carregue ao Orun e traga ao Ayê, a linha pela qual me comunico, daqui, do canto da sala, peço licença a senhora da criação, matriarca da humanidade, onde num gesto de Oração, expresso minha única verdade, desaguo o mar na tela seca e com ele nasce toda a forma de vida, o pincel reza à tinta a imensa devoção nele contida. É um caminhar de mãos dadas, um passeio pela união do Brasil com a África, do Ayê com Orun, do sagrado com a arte, de Xangô com Oxum, e esse andar entre dois mundos, é a nossa lúdica essência, a humanidade passou sua história, pintando fé ante a ciência, compostos de matéria e consciência. O espirito é o que anima a carne, o osso e o sangue, e a arte é Nanã, curando Obaluaê, das feridas feitas por caranguejos à beira do mangue. Não há porquê não pintar a beleza e tentar mostrar que a minha firmeza não é a paúra sua, a raíz de um povo que ensinou que não existe uma só maneira de pensar, quem ilumina o dia é o sol, quem clareia a noite é a lua.

São “RAÍZES DA FÉ” do pintor Sandro Miller, que encontrou na tinta a melhor maneira de expressar o que sente, vê e compreende, do contato com essa herança, mistura do desligamento do filho africano que é retirado de sua mãe e cria novas raízes no desconhecido além-mar, junto a brancos e índios, os caboclos donos da terra. Retrato de forças que não podem ser mensuradas e ganham uma imensidão aos olhos quando o artista retrata, em pinceladas cuidadosamente fortes, toda a beleza contida nessas RAÍZES.

Assim damos às boas vindas a sua imaginação!

Sandro Miller cuidadosamente nos apresenta sua visão, cabe a nós ouvir o batuque, os cantos, essa festa à qual adentraremos nesse momento.

Saravá!

– Texto Heitor Turci

 Ficha Técnica:

 Número de telas: 11 (onze)

Curadoria:

Elda Varanda Dunley

Produção e Apoio Financeiro, Institucional, Cultural

Estação Casa Amarela Produções e Serviços

Assessoria de Comunicação:

Estação Casa Amarela Produções e Serviços (Studio Play Art )

Fotografia das obras:

Estação Casa Amarela Produções e Serviços (Carol Mossin)

 

Exposições realizadas:

  • Galeria Flamboyant da Estação Casa Amarela

Período: de 26 de maio à 15 de dezembro de 2017

 

  • Faculdade Zumbi dos Palmares – Mostra das Exposições da Galeria Flamboyant da Estação Casa Amarela – São Paulo /SP

Período:  13 a 18 de maio de 2017

 

  • Museu Histórico e Pedagógico Dom Pedro I e Dona Leopoldina – Pindamonhangaba/SP

Período: de 09 de janeiro à 28 de fevereiro de 2018

 

  • Casa Oswaldo Cruz – São Luiz do Paraitinga/SP

Período: 22 de março à 22 de maio de 2018

 

  • Diretoria de Cultura de Jacareí – Jacareí/SP

Período: 01 de novembro a 31 de janeiro de 2019

 

Perfil do Artista

Sandro Miller é um artista plástico nascido em Franca/SP e atualmente residente em São José dos Campos.Vindo de uma família de artesãos, Sandro cresceu vendo sua mãe e tias, criando peças manuais. Teve como referência esculturas em argila, pintura em tela e vitrais. Em 2009 teve seu despertar pela pintura, já com certo destaque. Em 2010, após um ano de admiração e desejo em se profissionalizar, iniciou suas aulas oficiais num atelier hoje conhecido como “Art Café Ruth Magacho” em São José dos Campos. Sua primeira exposição aconteceu em 2015 e foi realizada no 1º Vale Holístico no Sindicato dos Têxteis de São José do Campos/SP em novembro de 2015.

Em 26 de maio de 2017 aconteceu a abertura da exposição “Raízes da Fé” na Galeria Flamboyant da Estação Casa Amarela em Caçapava /SP e a partir de então faz parte do grupo de artista da Estação Casa Amarela.  “Raízes da Fé” retrata as religiões de matrizes africanas em personificações dos orixás e também no cotidiano do povo negro. Sua inspiração, segundo o artista, vem de sua fé, sua religião e dos elementos da natureza. Essa exposição também percorreu outras localidades do Vale do Paraíba: Museu Histórico e Pedagógico Dom Pedro I e Dona Leopoldina em Pindamonhangaba e Casa Oswaldo Cruz em São Luiz do Paraitinga.

Telas da Exposição

 

Página do artista