O Xamã Devolve a Vida

O XAMÃ Devolve a Vida” – texto de Jaider Esbell

“Eis que estamos vivendo agora, todos nós, o ápice do tempo antropoceno. Se não há futuro para nós, não haverá futuro para ninguém. Esse tempo presente é a última chance que temos para celebrar a vida, a vida com dignidade para todos; homens, animais, minerais, espíritos. Essa carta tem a intenção de convidar toda a humanidade para pensarmos juntos o futuro comum de nossas próximas gerações e isso é mesmo urgente. Eu de minha parte represento, em uma leitura poética, profética, a última ligação dos seres humanos com a essência da natureza, ou seja, a vida em sua origem. Eu também represento o pensamento dos anciãos de toda a terra e não devemos suportar por vocês essa grande guerra, sozinhos. Eu vou além pois posso ouvir a voz dos que antes viveram e que nos alertaram que a arte é a nossa grande chance de falar de um modo mais verdadeiro. Eu venho de lá, dos cantos mais remotos das florestas virgens. É de lá que venho, da grande Amazônia, de onde os “selvagens” correm para todos os lados sem entender de onde vem o fim do mundo. O fato é que eles sabem, pois podem ver a catástrofe por meio de seus xamãs. Com muita súplica nos convidam a segurar o céu sobre nossas cabeças com o melhor de nossa sabedoria, a sensatez.  Lá, nas florestas virgens, as crianças perdem suas mães, seus pais, irmãos e ficam sozinhas morrendo lentamente vagando envenenadas com o lixo da modernidade por todos os lados. O lixo da modernidade que vocês, os homens donos dos bancos, donos do poder que é o dinheiro alimentam com suas poderosas estruturas de destruição que nunca param. Todo o ouro que antes e ainda mais agora são retirados da terra podem hoje formar um grande espelho e lhes mostrar. O brilho dos diamantes, da prata, forma agora um grande espelho onde pode mostrar para quem pode ver os rastros de sangue que a ganância deixa por onde passa. Sabemos que é muito simples retroceder. Limpar a natureza de todo lixo industrial, limpar o espírito dos homens desse sentimento morto, frio e insensível que esta oculto nestes prédios tão distantes de nossa realidade. Eu posso ser você nesse caminho da vida mas não podemos ser natureza uma vez que a negamos e ficamos cada vez mais distantes. Ouvir o clamor mundial por justiça social. Aceitar de uma vez por todas que o aquecimento global é uma realidade pois as águas não mentem. O vento não mente, o clima não mente. Falamos sim pelos elementos da natureza já que nós meramente humanos não temos mais direito a nossa própria voz. Que haja sensatez e muito mais tolerância. Que considerem tecnicamente a possibilidade de investir na estrutura universal pois o amor de vocês foi investido na guerra e a felicidade de vocês está em fazer as pessoas sofrerem em todos os cantos. Não há outro modo de viver por mais que se tenha dinheiro. Devemos sim, aquecer a terra com amor, esse nobre valor desvalorizado. Devemos sim cobrar por justiça e entender que a educação pode mudar o rumo e apontar outro prumo pra que atravessemos o mundo e sigamos vitoriosos deixando tesouros de paz e harmonia, uma forma simples e pura de sermos gratos pelo universo que tudo nos deu e que está muito perto de tudo nos tirar. Somos iguais em tudo e por tudo digo que não queremos, que não merecemos ficar com o lado pobre desta riqueza comum. Aqui deixo mais uma vez saber que esta voz é uma voz da arte que me criou para andar no mundo mostrando de todas as formas o invisível, isso que não tá na matéria, mas que a sustenta. Essa carta é uma representação, eu cá como povo indígena e você aí como o capitalismo cruel e sem coração. Trago um pouco de luz para você. É vermelho nosso sangue, azul a nossa água e não há mais tempo para tanto sofrimento. Lutem conosco, vocês têm poder, assim como nós.”

                                                                                                                   JAIDER ESBELL

Ficha Técnica O XAMà– série de 10 cópia numerada 02

Número de telas: 15 (quinze)

Curadoria:

Jaider Esbell e Marcelo Camacho

Produção, Apoio Financeiro, Institucional, Cultural Estação Casa Amarela Produções e Serviços EIRELI

Assessoria de Comunicação:

Estação Casa Amarela Produções e Serviços EIRELI (Studio Play Art)

Desenhos matriz

Jaider Esbell

Fotografia, composição e coloração digital das obras:

Marcelo Camacho

Impressão, Montagem e Molduras

PhotoPainter – Digital Imagem & FineArt Printing – Giuseppe de Maria

Impressão: Midia: Canvas Museum Art 340 GSM – Canson

Tinta: Ultrachrome HDR

Revestimento: Acrilico a base de Termolina Leitosa

Equipamento: Epson Stylus Pro 9900

Área impressa: 30X40 cm

Moldura: Ecologica – Madeira de reflorestamento (Pinus) revestida de materiais reciclados de garrafas PET Linha Black& White –

Perfil Modelo 98-9104 Fornecedor: Moldurarte

Dimensões Externas Finais: 34 x 44 CM

 

Exposições realizadas:

 

Casa Brasileira – São Sebastião /SP

Período: 17 de abril à 02 de junho de 2019

 

Galeria Flamboyant da Estação Casa Amarela – Caçapava – SP

Período: de 11 de junho à 27 de setembro de 2019

 

Perfil dos Artistas

Jaider Esbell é indígena do povo Makuxi, escritor e arte-ativista e produtor cultural. Em atividade desde 2010 o nativo de Normandia-RR percorre espaços físicos e políticos com a arte indígena contemporânea e assim, desenha uma nova geografia da arte no mundo. Esbell é premiado pelo MINC/FUNARTE em 2010 por sua literatura. Deu aula e realizou exposições nos Estados Unidos em 2013. Em 2016 vence o Prêmio PIPA online pelo conjunto da obra e expõe na Oca Tapera Terreiro na Bienal 2016/SP. Em março de 2017, abre duas exposições individuais, “O XAMÔ e “IT WAS AMAZON”, na Galeria Flamboyant da Estação Casa Amarela em Caçapava/SP e em outras cidades do Sul do Brasil. Em março de 2018, abre sua primeira exposição em Manaus/AM. Em julho de 2018, O XAMà entra em exposição no Espaço da Cervejaria Bohemia em Petrópolis – RJ e “IT WAS AMAZON” no Palacete 10 de Julho em Pindamonhangaba – SP, ambas com produção da Estação Casa Amarela. Também em julho de 2018, Jaider Esbell abre uma nova exposição “Transmakunaíma – O buraco é mais embaixo” e “IT WAS AMAZON” no Memorial dos Povos Indígenas em Brasília – DF. Lança o livro “Tardes de agosto, manhãs de setembro e noites de outubro” na UFAC em Rio Branco -Acre em agosto de 2018 como parte da programação da JALLA. Convidado pelo Itaú Cultural SP chega ao sudeste novamente em 22 de agosto de 2018 para participar do evento “Mekukradjá – Circulo dos Saberes: o movimento da memória”. Em 23 de agosto, 15h, estará junto com a exposição O XAMà no Projeto Mais Cultura na Escola em Caçapava – SP e as 19h30m na FASC – Faculdade Santa Cecília em “Encontro com o artista e escritor” em Pindamonhangaba – SP. Ambos os eventos estão sendo realizados pela Estação Casa Amarela Produções e Serviços em parceria com as Secretarias Municipais de Cultura dos municípios.

Marcelo Camacho é paulistano, fotógrafo, cirurgião dentista e reside em Boa Vista, RR, desde 2002. Dedica-se à fotografia de temas relacionados à natureza, populações tradicionais, manifestações culturais populares entre outros assuntos. Tem fotos selecionadas para os principais salões de fotografia do Brasil e publicadas em jornais, revistas e sites nacionais e internacionais. Foi organizador do I Fest Foto Amazônia e Coordenador Geral do Salão Nacional de Fotografia de Boa Vista 2017.Participou de exposições individuais e coletivas em vários estados do Brasil e atualmente é Diretor de Fotografia da Associação Roraimense de Fotografia (AFOTORR) e tem trabalhos expostos no Salão da Fotografia Consigo 2018 (‘Panorama Roraima), percorrendo galerias entre Petrópolis, RJ, e Vale do Paraíba com a exposição ‘O Xamã’ em parceria com Jaider Esbell e fotos expostas na XXX Bienal Brasileira de Arte Fotográfica Preto e Branco em Caxias do Sul, RS.

Exposição O Xamã:

 

Telas e Painéis da Série Transmakunaimã: