Ancestralidades Contemporâneas

Atualmente a idade-mídia desafia nossa capacidade de absorção de imagens de toda ordem, em especial, das diversas vertentes da fotografia. Em meio a esse excesso de cenas e personagens, nosso imaginário continua em busca principalmente da figura humana, com ênfase na exposição do corpo, pelos mais diversos meios, sejam físicos ou virtuais.

É nesse contexto que a fotógrafa Cacau Fernandes apresenta a exposição Ancestralidades Contemporâneas, nos ensaios lambe Sujo e Caboclinhos, Os “Cão” de Jacobina, Nêgo Fugido e Bloco da Lama. A série é um contraponto aos trabalhos cotidianos da fotojornalista urbana carioca. São olhares mais poéticos que documentais sobre grupos sociais que celebram seus corpos numa dimensão sagrada, ora profana, em danças e cortejos onde fé, rito e carnavalização se traduzem em exibições ocultadas ou reveladas sob camadas de substancias enegrecedoras, em personagens que aparecem festivas e libertárias.

Sendo a ocultação da identidade um comportamento observado  historicamente em festas populares de diversas culturas, aqui aparecem em festividades que promovem uma alegoria visual, com a geografia corporal recoberta, seja de tinta, de óleo ou de lama, num corpo/página que se exibe e expressa, um corpo/tela que mostra e comunica, um corpo/objeto que informa em diálogo com diversas heranças culturais. Há desde novas versões do popular Saci Pererê, passando por uma carnavalizada versão das mitologias judaico-cristãs, incluindo ritos de autoflagelação em busca de transcendências religiosas, além de elementos simbólicos da negritude brasileira.

Para revelar-se reconfigurado no corpo social, o corpo individual é maquilado, maculado, sob camadas de substancias escuras, sob camadas de significações, e surge na via pública e festiva como corpo-festa, seja na adoção de tradições ancestrais, na emissão de recados políticos ou confissão gestual de desejos contemporâneos. As camadas de não-cor ao mesmo tempo escondem e revelam personas e narrativas, cujos rostos se traduzem em máscaras sociais que assombram pela via do sublime, divertem-se no êxtase e seduzem pelo encantamento.

Tchello d’ Barros (Escritor e Curador)

Ficha Técnica

Número de Fotografias: 40 (quarenta) em tamanhos variados, com chassi de madeira reaproveitada.

Lona: gramatura de 440g, fosca

Fabricante: Star Flex – fio/500×500

Impressora: Mimaki – cjv 150/160 bs

Tinta: Mimaki – bs 3 / ink – solvent/pigment – 600 ml – não e reciclável

Qualidade da impressão: 1040×1040 16pass

 Curadoria:

Tchello d’Barros

Produção e Apoio Institucional, Cultural

Estação Casa Amarela Produções e Serviços

 Assessoria de Comunicação:

Estação Casa Amarela Produções e Serviços (Studio Play Art)

 

Exposições Realizadas:

  •  Galeria Flamboyant da Estação Casa Amarela – Caçapava/SP

Período: 09 de novembro a 21 de dezembro de 2018

 

  • Centro Cultural Light – Rio de Janeiro/ RJ

Período: 18 de janeiro a 01 de março de 2019

 

  • Espaço de Exposições da Cervejaria Bohemia – Petrópolis – RJ
    Período: de 12 de março à 26 de abril de 2019

 

Perfil da Artista

Cacau Fernandes (Rio de Janeiro, RJ) é graduada em Fotografia pela Universidade Estácio de Sá e pós-graduada na mesma instituição em Imagem Digital. Atuou como repórter fotográfica por 4 anos no Jornal O Dia, até ser acidentada no Carnaval pelo carro alegórico da Tuiuti. Superação é a palavra que mais define Cacau, que ouviu de alguns colegas, logo no primeiro período de estudo, que deveria desistir do curso por não ter o melhor equipamento, experiência na área e mais de 40 anos. Sagaz, Cacau se esforçou ao máximo para comprovar que quem faz a foto, é o fotógrafo e não o equipamento, e, no segundo período já trabalhava nas redações de grandes jornais do Rio. Foi indicada ao prêmio Esso em 2014, o maior reconhecimento da imprensa nacional, até então. Teve suas imagens publicadas nos anuários “O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro”, em 2014, 2015, 2016 e 2017.  Em 2017, ficou entre os 10 finalistas do Parati em Foco. Também teve imagens estampadas na Revista Veja e Jornal O Estado de São Paulo, Meia Hora e Brasil Econômico.

Produziu exposições coletivas e individuais, no Brasil e Exterior, ministrou aulas de fotografia, palestras e atualmente dedica-se à realização de ensaios fotográficos, com ênfase em Fotografia Documental, como as séries “Velhos Sertões, Novos olhares” e “Ancestralidades Contemporâneas.

Parte das Fotografias em Exposição

 

Página da Artista